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Vinho do Porto, muito sofisticado

  • Publicado quarta-feira, 19 de maio de 2010

Não há nada melhor para encerrar uma refeição do que um bom cálice de Vinho do Porto. Vinho rico, encorpado, o Porto é considerado por muitas pessoas como o melhor e mais complexo vinho do mercado.

As origens exatas do Vinho do Porto são incertas, diz-se que, durante um período de guerra com a França no século XVII, um inglês viajou para Portugal na tentativa de encontrar uma alternativa para os encorpados vinhos franceses, tão valorizados na época. Portugal não dispunha de nenhuma grande solução, e, assim, o inglês decidiu levar consigo alguns vinhos portugueses, que ainda eram jovens e de paladar pesado. Ele acrescentou um pouco de conhaque para interromper seu processo de fermentação, e assim nasceu o primeiro Vinho do Porto. A bebida não se tornou imediatamente popular em Londres, o que aconteceu apenas durante o começo do século XVIII, quando passou a ser considerado um dos melhores vinhos do mundo.

Da mesma forma que o champagne, o termo Porto refere-se especificamente às variedades da bebida produzidas em Portugal, controlado pelo IVP – Instituto do Vinho do Porto. Na verdade, a maioria dos Portos é produzida a partir de uvas cultivadas no Vale do Douro, na região nordeste de Portugal. As uvas são, então, enviadas para a cidade do Porto, onde os principais fabricantes do vinho estão localizados. Através de um processo longo e complexo, as uvas são transformadas em vinho fortificado, comercializado para todo o mundo. Outros países como Austrália, Argentina, Estados Unidos e Canadá também produzem vinho fortificado, porém nenhum deles pode ser chamado de Porto.

Nove tipos de Vinho do Porto são certificados pelo IVP. A qualidade e a complexidade do vinho variam de acordo com o tempo de envelhecimento e das uvas utilizadas em sua produção. Muitos produtores se orgulham em dizer que ainda utilizam o mesmo método de produção há mais de 400 anos. E de fato, alguns dos produtores de vinhos Vintage, ainda maceram as uvas com os pés.

O Vinho do Porto Branco é feito exclusivamente a partir de uvas brancas e envelhece por até 10 anos em grandes barris de carvalho (mais de 20 mil litros). Normalmente, são vinhos jovens e frutados, e são os únicos Portos a serem classificados por sua doçura. Por isso, existem brancos secos, meios-secos e doces, e normalmente são servidos gelados, como um aperitivo.

O Ruby é tinto, o mais básico e mais barato tipo de Porto, misturado a partir da produção de diversas colheitas, com envelhecimento de dois a três anos em barris de aço inoxidável ou de madeira, antes de ser engarrafado. São vinhos frutados e de cor escura (vermelho rubi), com sabor de frutas vermelhas (frutos silvestres ou ameixas) e com características de vinhos jovens.

Tawny são também vinhos tintos, feitos das mesmas uvas que os Ruby, porém, envelhecem de 2 a 3 anos em barris, antes de passar para as pipas – barris menores, de 550 litros – onde podem ficar por até 40 anos. Estas permitem maior área de contato entre o vinho e a madeira, o que faz com que os Tawny respirem mais, oxidando e envelhecendo rapidamente. Devido à elevada oxidação, os Tawny perdem sua cor inicial, ganhando tons mais claros como o âmbar, além de sabores como nozes ou amêndoas. Com a idade, os Tawny ganham ainda mais complexidade aromática, adquirindo notas amadeiradas, de café, chocolate ou mel.

O Vinho do Porto que envelhece até três anos é considerado standard. Todos os demais vinhos, que permanecem mais tempo envelhecendo nos barris, pertencem a categorias especiais, seja porque as uvas que lhe deram origem são de melhor qualidade, ou por terem sido produzidos num ano excepcionalmente bom em termos climáticos.

O Vinho do Porto Reserva é produzido a partir de uvas selecionadas de grande qualidade, e tanto pode ser branco como tinto. Em geral, ficam sete anos em maturação antes de serem engarrafados. Por não seguir envelhecendo dentro da garrafa, é um vinho que deve ser consumido em um prazo de seis meses, e sua garrafa deve ser mantida na vertical. Em geral, são servidos como aperitivo (gelado) ou vinho de sobremesa.

Os vinhos LBV (Late Bottled Vintage) são produzidos a partir de uma só colheita excepcionalmente boa. Envelhecem de quatro a seis anos em barris de madeira, antes de serem filtrados e engarrafados. São vinhos prontos para beber e por isso, contam com um pouco de sedimentos no fundo da garrafa.

Como o próprio nome indica, os Tawny Envelhecidos permanecem por mais tempo dentro dos cascos de carvalho. Existem, assim, os Tawny 10, 20, 30 e até 40 anos, sendo que quanto mais maduros eles forem, mais claras se tornam suas cores, e mais complexos e licorosos ficam os seus sabores: mel, canela, chocolate, madeira… O sabor final deixado no paladar é inconfundível. Os Tawnies Envelhecidos encontram-se entre os Vinhos do Porto mais caros do mercado.

O vinho do tipo Colheita é um Tawny de uma única safra, que envelheceu por pelo menos sete anos em barris de madeira antes de seu engarrafamento. É o mais raro dos Portos. O rótulo deve indicar seu ano de engarrafamento e o vinho deve ser consumido dentro de um ano a contar desta data. Sua cor desbotada e o paladar combinado de nozes e frutas secas são suas principais características.

A designação Vintage é a classificação mais alta que pode ser atribuída a um vinho do Porto. Considera-se Vintage o vinho obtido da colheita de um só ano, e é uma denominação atribuída apenas a anos considerados de excepcional qualidade. Estes vinhos amadurecem em barril de madeira por um período máximo de dois anos e meio, sendo posteriormente envelhecidos em garrafa. Com enorme potencial de amadurecimento, ele deve ser consumido dentro de 3 a 4 anos, sendo servido normalmente após as refeições e em pequenas quantidades. Possui um aroma equilibrado, complexo e muito especial, e é ideal para harmonizar com chocolate, café ou charutos.

Por último, os vinhos Crusted são compostos de uma mistura de bons vinhos Vintages, engarrafados após envelhecer por três anos nos barris de madeira. Por contar com sedimentos no fundo da garrafa, é um vinho que precisa, necessariamente, ser decantado antes de servir.

Os Vinhos do Porto devem ser armazenados a temperaturas entre 13° e 18°C. Caso possua rolha de cortiça, sua garrafa deve preferencialmente permanecer na horizontal. Algumas garrafas possuem uma marca branca em sua lateral. Ela é uma referência que deve sempre estar voltada para cima, durante o armazenamento. Vinhos com rolha plástica devem ser estocados na vertical, para evitar que a bebida seja contaminada com o sabor da rolha.

O Vinho do Porto deve ser degustado entre 18° e 20°C, sendo sorvido gentilmente para que a complexidade de seus sabores possa ser sentida. Os Portos são ótimas companhias para queijos fortes, castanhas, frutas vermelhas e charutos, tornando seu paladar ainda mais marcante.

Um dos Portos mais raros e mais caros do mundo é o Quinta do Noval 1997 Vintage, um vinho para colecionadores, já que possui edição muito limitada. Feito com uvas enxertadas em um pequeno lote de 2,5 hectares, no coração da Quinta do Noval, o 1997 Vintage possui uma coloração escura, como uma tinta. Seu aroma picante surpreende, ao mesmo tempo em que seu paladar se mostra elegante e muito equilibrado, com taninos aveludados e sabores de frutas negras, como amora, cereja e ameixa. As notas de finalização são intensas e complexas, deixando um rastro muito marcante.

Há muito o que estudar e conhecer sobre os Vinhos do Porto. São bebidas complexas, com sabores e aromas intricados, sofisticados. Melhor do que apenas estudá-los, é degustá-los com todos os sentidos…

Preço: US$ 3.200 (Vinho do Porto Quinta do Noval 1997 Vintage)

Para maiores informações, visite o site do Instituto do Vinho do Porto: www.ivp.pt

Para conhecer um pouco mais sobre o Vinho do Porto Quinta do Noval 1997 Vintage , visite o site: www.quintadonoval.com