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Château Pétrus, um dos melhores do mundo

  • Publicado domingo, 27 de dezembro de 2009

Não existe classificação oficial dos vinhos do Pomerol, uma das mais notáveis sub-regiões de Bordeaux, no sudoeste francês. Ainda assim, no topo de qualquer lista dos melhores tintos da comuna, certamente estaria o lendário Pétrus. Aliás, em qualquer relação dos grandes tintos do planeta este vinho elaborado com a casta Merlot tem lugar assegurado, tal a sua qualidade. O domaine, comandado por Christian Moueix, tem apenas 11,5 hectares, de onde saem não mais que 50 mil garrafas por ano. Um tinto raro e caro, mas sua fama é merecida, pela classe, aromas potentes, bom corpo e notável concentração de sabor.

O Pomerol, quase um subúrbio da cidade de Libourne, tem apenas 750 hectares de vinhedos e é a menor das apelações de Bordeaux – pequenina mesmo, perto da vizinha Saint-Émilion, que possui 2.300 hectares plantados. Ao contrário do Médoc (outra grande área do entorno), onde predomina a uva Cabernet Sauvignon, ali é o reino da Merlot. Esta uva tinta proporciona vinhos redondos, não muito agressivos na juventude e que não precisam envelhecer muito para dar prazer. Neste universo, o Pétrus tem identidade própria. Normalmente precisa de dez anos para chegar ao ponto ideal de consumo e tem estrutura para durar por décadas.

Na preparação dos vinhos do Pomerol, a receita consagrada é 70% Merlot e 30% Cabernet Franc. No Pétrus a proporção é outra, 5% Cabernet Franc e 95% Merlot. Ele traduz esta uva ao máximo de sua expressão – na verdade, é o que todo Merlot gostaria de ser. O segredo está no solo e nos cuidados com que o vinho é cercado na propriedade. O terreno é argiloso, com boa capacidade de drenagem, e debaixo dele há um sub-solo com forte presença de óxido de ferro, que confere ao vinho sua especificidade.

Os cuidados chegam a extremos. Em 1956, por exemplo, uma forte geada queimou os parreirais de toda a região. A maioria dos proprietários preferiu substituir os pés danificados, para recomeçar a produção. Os donos do Pétrus, não. Eles aguardaram pacientemente a recuperação da natureza e em 1959 foram recompensados. Lentamente, surgiram pequenas brotações, comprovando que havia vida nas robustas raízes. E que vida!

Atualmente, há um rigoroso plano de replantio. As parreiras são antigas, com idade média de 40 a 45 anos, e a reposição se dá ao atingirem 70 anos. Para obter o máximo de resultados, a produtividade é pequena, somente 6.500 pés por hectare. Na colheita, os cachos são retirados à tarde, depois que se evaporou o orvalho da manhã. A vinificação é extremamente cuidadosa, feita por uma equipe técnica competente, liderada pelo enólogo Jean-Claude Berrouet. Após a fermentação, em cubas de concreto, o vinho amadurece de 22 a 28 meses em barris de carvalho – somente carvalho novo. Ao final, sem ser filtrado, é clarificado naturalmente com clara de ovo.

Esta história de sucesso é relativamente recente, tem menos de 60 anos. No século XIX, o Château Pétrus pertencia à família Arnaud e a propriedade compreendia apenas 6,5 hectares, ocupados com a tradicional distribuição regional de 70% de uva Merlot e 30% Cabernet Franc. No início do século XX, os Arnaud criaram a Sociedade Civil do Château Pétrus e colocaram à venda ações da nova empresa. Parte delas foram compradas em 1925 por Madame Loubat, mulher do dono do Hotel Loubat, no Libourne.

Em 1945, ao fim da II Grande Guerra, a natureza proporcionou uma colheita excepcional ao Pétrus, o que chamou a atenção internacional para o pequeno vinhedo do Pomerol, cujos tintos eram então distribuídos com exclusividade por Jean-Pierre Moueix, influente negociante de vinhos do Libourne.

Na década de 60, com a morte de Madame Loubat, a empresa foi herdada por uma sobrinha, Madame Lily Paul Lacoste, e por um sobrinho, Monsieur Lignac. Logo depois, Jean-Pierre Moueix comprou a parte de Lignac, passando a dividir a posse do domaine com Madame Lacoste. Aos poucos, o filho dele, Christian Moueix, que estudou engenharia agrícola em Paris e enologia na prestigiada Universidade da Califórnia em Davis (EUA), assumiu o comando dos negócios. Há dois anos, Madame Lacoste foi afastada da direção da empresa – e só então a família Moueix revelou que possuía o domínio integral da sociedade, pois em 1969 havia adquirido sigilosamente as ações em poder da idosa senhora.

Hoje a família Moueix é dona ou administra perto de 20 propriedades vinícolas em Bordeaux, entre elas estrelas como os Châteaux Trotanoy e La Fleur-Pétrus – no Pomerol, Château Magdelaine, em Saint-Émilion, e o Château Dauphine – em Fronsac. Mas nesta constelação, nenhuma estrela tem o brilho ou o charme do tinto que, por sua nobreza, é chamado respeitosamente por muitos enófilos de o ‘Rei Pétrus’.

Preço: a partir de US$ 1.900 (sem impostos ou frete)

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Assista no vídeo abaixo, a uma entrevista com Christian Moueix, que conta um pouco sobre a excelência do Château Pétrus