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Château d’Yquem, Premier Cru Supérieur

  • Publicado quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

O vinho Château d’Yquem é, e tem sido por algumas gerações, o melhor vinho de Sauternes, uma província do sudoeste da França, localizada ao sul das vinícolas de Bordeaux, em uma região conhecida como Graves.

Em termos de classe, estilo e riqueza de sabor e aroma, o vinho Château d’Yquem é um vinho extravagante, que inspira elogios. Durante a Bordeaux Wine Official Classification de 1855, o Château d’Yquem foi o único a receber a classificação de Premier Cru Supérieur, indicando sua superioridade e seu preciosidade em relação aos demais vinhos brancos.

Produzido em um majestoso castelo, o Château d’Yquem é um dos mais desejados vinhos brancos, tendo uma legião de entusiastas que visitam regularmente suas vinhas, observam o castelo e, desta forma, conseguem dimensionar todo o cuidado em torno da produção deste sofisticado vinho e da grandeza de seu lugar de nascimento.

O castelo foi construído parte no século XVI, parte no século XVII, no lugar de uma fortaleza. Em 1592, a propriedade passou a fazer parte das posses da família Sauvage d’Yquem. Posteriormente, em 1785, o castelo passou a integrar o patrimônio da família Lur-Saluces, após o casamento de Josephine d’Yquem com o Conde Louis Amedee de Lur-Saluces, neto de Luis XV. A gestão do terroir permaneceu sendo familiar até que, após a aposentadoria do Conde Alexandre de Lur-Saluces, os vinhos Château d’Yquem foram adquiridos pelo grupo LVMH, o maior conglomerado de luxo do mundo, e Pierre Lurton assumiu a administração da vinícola em 2004.

Vinhos como o Château d’Yquem são caracterizados por sua complexidade, concentração e doçura. Outra característica marcante do Yquem é sua longevidade. Em uma safra perfeita, as reais qualidades de uma garrafa de Château d’Yquem começam a despontar após uma década ou duas de envelhecimento. Se bem armazenada e cuidada, a garrafa pode ser guardada por um século ou mais. É lógico que durante este tempo, os sabores frutados serão diluídos aos poucos, sendo integrados a sabores secundários, que podem ser originários dos barris de envelhecimento, além da própria transformação do líquido precioso.

O terroir Château d’Yquem é formado por 113 hectares de vinhedos, sendo que cada safra é composta por uvas de apenas cem hectares selecionados.

A cada ano, dois ou três hectares de vinhas são avaliados como muito antigos e devem passar por um processo de renovação, onde todas as parreiras são arrancadas, o solo passa por uma etapa de fortificação e ali repousa por ao menos um ano antes de um novo plantio. Em média, leva-se cerca de cinco anos para que o novo parreiral comece a produzir uvas que atendam aos rigorosos padrões estabelecidos pela vinícola Château d’Yquem. Os doze hectares restantes devem ser mantidos em um intervalo de um ano sem nenhum tipo de cultivo.

O segredo do melhor vinho branco do mundo são suas uvas, que são colhidas uma a uma, no momento correto, o que significa dizer que há uma máxima dedicação dos produtores em observar o teor de açúcar ideal para que a colheita gere um vinho que tenha teor alcoólico entre 19 e 20°.

Assim que o processo de fermentação é naturalmente finalizado, o teor alcoólico medido deve estar entre 13 e 14°. Neste ponto, todo o açúcar não convertido é descartado.

Apenas dois tipos de uvas são produzidos no terroir Château d’Yquem: Sémillon (80%), uva branca típica da região de Sauternes que produz um vinho ensolarado, cheio de energia, com bom corpo e bem estruturado; e Sauvignon Blanc (20%), uva branca da região de Bordeaux que produz vinhos refrescantes e mais secos, e que, neste caso, contribui com aromas e finesse.

A uva Sémillon é muito suscetível ao que se conhece como ‘podridão nobre’, a contaminação por um tipo de fungo microscópico chamado Botrytis cinerea, que, combinada às condições de tempo seco, funciona como uma alquimia maravilhosa, adicionando aromas e sabores especiais e muito mais adocicados, que irão transformar totalmente o vinho, que passa a ser chamado de ‘botrytizado’. Assim, pode-se dizer que se não há botrytis, não há Château d’Yquem.

Como todo grande vinho, o Château d’Yquem revela mais um segredo: a dedicação com que os trabalhadores cuidam de seus parreirais, sob o olhar atento do gestor da vinícola, uma tradição que se perpetua de geração para geração.

Outro fator igualmente importante: vinhos sofisticados como o Château d’Yquem não são cultivados em qualquer lugar. É necessário que um conjunto único de condições climáticas e geológicas aconteçam meticulosamente, de forma a obter um raro equilíbrio.

O parreiral em Sauternes é caracterizado por um solo aquecido e seco pelo sol em sua parte mais superficial, e que acumula calor graças aos pedriscos e cascalhos grosseiros que estão dispostos sobre a terra. O subsolo argiloso contém boas reservas de água e há inúmeras nascentes distribuídas por toda a propriedade. Para evitar a formação de alagamentos e poças, um complexo sistema de drenagem (cerca de 100 km de dutos e drenos) foi instalado ainda no século XIX.

Desta forma, a localização e condições perfeitas de Sauternes resumem o que há de melhor para a produção de vinhos.

Na ocasião da colheita, que é realizada até hoje seguindo o mesmo método por séculos, mais de 140 colhedores são contratados e divididos em 4 grupos. Eles procuram pelas uvas ‘botrytizadas’, que devem estar em seu ponto máximo de maturação. Os catadores escolhem apenas as uvas maduras, chamadas de frutas ‘podres’, que são retiradas individualmente de seus cachos. As demais uvas são deixadas para um próxima etapa da colheita.

Por safra, são realizadas em média cinco ou seis varreduras, dentro de um período de seis semanas. Em alguns anos, no entanto, a safra começa em setembro e pode perdurar até dezembro, dependendo das condições climáticas e da qualidade das uvas.

As médias de rendimento são de 900 litros por hectare, o que é pouco se comparado à média da região, que é de 1.200 a 2.000 litros de vinho por hectare (sinônimo máximo de exclusividade).

A filosofia de seleção extremamente cuidadosa se estende desde o parreiral até a adega, onde o vinho deve ser envelhecido por pelo menos três anos em barris de carvalho novo antes de ser comercializado.

São consideradas as melhores safras do Château d’Yquem os anos 1811, 1834, 1847, 1859, 1929, 1967 e 2001. Esta última foi caracterizada pelo total controle das frutas ‘botrytizadas’, que produziu um vinho doce e de aromas concentrados e inebriantes. A beleza inconfundível de sua brilhante cor dourada, faz com que possamos imaginar que o sol poderia ser servido em taças geladas, um verdadeiro deleite para os sentidos.

Em média, 65 mil garrafas são produzidas a cada ano. Em uma safra ruim, todo o cultivo é descartado por ser considerado indigno com o nome do castelo, o que, durante o século XX, aconteceu por nove safras: 1910, 1915, 1930, 1951, 1952, 1964, 1972, 1974 e 1992.

De acordo com a revista Forbes, o Château d’Yquem é o vinho branco mais caro já vendido no mundo. Uma garrafa da safra de 1784, com as iniciais de Thomas Jefferson (conhecido por ser um grande colecionador de vinhos raros e exclusivos) gravadas no rótulo, foi comercializada em 1986, em um leilão da Christie’s London, por US$ 56.588.

Em 2006, um lote de vinhos que incluía 135 anos de história (contendo todas as safras de 1860 a 2003), foi vendido pela The Antique Wine Company em Londres por US$ 1,5 milhão, considerado um dos valores mais altos já pagos por um único lote de vinhos.

Preço: a partir de US$ 4.800, dependendo da safra (sem impostos e frete)

Localização: Château d’Yquem, Sauternes, França

Coordenadas: 44°32’41”N 00°19’43”W

Para maiores informações, visite o site: www.yquem.fr


Conheça um pouco mais sobre o vinho e o terroir Château d’Yquem assistindo ao vídeo abaixo